3 de dezembro de 2011

O dia internacional do Yes

Tenho que postar isso porque sumiu a antiga referência:

 
Yoko conheceu Lennon em 9 de outubro de 1966, quando o cantor visitou uma galeria em Londres onde ela estava expondo. Lennon se encantou por uma obra de Yoko em que subia as escadas, e no teto havia uma lupa com a palavra "yes!". Conforme ele avançava a escada, a palavra ficava mais nítida. John se apaixonou na hora. "Ela podia ter escrito qualquer coisa; guerra, sexo, morte. Mas ela escreveu 'sim', tudo que eu precisava naquele momento.




12 de agosto de 2011

Aqui é o berço dos nascimentos artificiais


“Não é o acaso que traz gente como nós a Paris. Paris é simplesmente um palco artificial, um palco giratório, que permite ao espectador entrever todas as fases do conflito. Por si só, Paris não inicia drama algum. Os dramas começam em outro lugar qualquer. Paris é simplesmente um instrumento obstétrico que arranca o embrião vivo do útero e coloca-o na incubadora. Paris é o berço dos nascimentos artificiais(...). Tudo é levado à apoteose. O berço entrega os bebês e outros novos ocupam seus lugares. Pode-se ler aqui nas paredes onde viveu Zola, Balzac, Dante e Strindberg, e toda gente que foi alguma coisa. Todos viveram aqui em uma ocasião ou outra. Ninguém morre aqui”. 


19 de julho de 2011

gastronomia imaginária

O arquivo de Mário de Andrade, no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, guarda, entre os cardápios que o escritor preservou, este, de um jantar oferecido por René Thiollier a Olívia Guedes Penteado, em 1925, 7 de maio. Perdão! Trata-se do menu do diner, que distingue a homenageada como "Madame" e designa em francês todas as iguarias de sal – sopa, peixe, massa leve recheada (vol au vent) com recheio de fígado de gansos desafortunados, peru à brasileira, presunto de York, salada –; as sobremesas – bolo batizado com o nome do amigo distante, o poeta franco-suíço Blaise Cendrars, salada de frutas e sorvete. As bebidas são champanhe e licores, estes, assim como o café, para fechar o ágape que confraterniza os modernistas de São Paulo e seus mecenas, no ano da publicação de Pau Brasil, de Oswald de Andrade. O nome "Mario de Andrade", a tinta preta, no alto, indica a organização dos convivas à mesa; o apuro gráfico do cardápio; a mansão da avenida Paulista que tem por nome "Villa Fortunata" e se mostra em fotografia trabalhada pelo estúdio Stern, de Paris, testemunham o vínculo de certos representantes da elite social e econômica com a renovação das artes e das letras. Os três mecenas do modernismo paulistano estão presentes: o anfitrião, dona Olívia Guedes Penteado e Paulo Prado. Thiollier, contista de O senhor dom Torres (1921), e o editor da Revista do Brasil haviam se empenhado para a realização da Semana de Arte Moderna, em 1922, e Dona Olívia, em seu salão nos Campos Elíseos, destacava-se como a Senhora das Artes, segundo a historiadora Denise Mattar. Os três assinam o verso do cartão, assim como Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade (como "Pau Brasil"), Guilherme de Almeida e outros presentes. Mário de Andrade constrói seu souvenir, desperto para o relato da História nos documentos do cotidiano.
Em abril do ano anterior, na viagem a Minas Gerais, que empreendera com D. Olívia, Tarsila, Oswald e o filho dele, Nonê, Paulo Prado, René Thiollier, Gofredo da Silva Telles e Blaise Cendrars, viagem na qual nascera a estética Pau Brasil, Mário de Andrade copiara, para seu arquivo, os dados pessoais deixados pelos excursionistas no Hotel Macedo, em São João Del Rei. Eis o registro impregnado do "claro riso dos modernos", unindo mecenas, pintora e poetas: "D. Olívia Guedes Penteado, solteira, photographer, anglaise, London. D. Tarsila do Amaral, solteira, dentista, americana, Chicago. Dr. René Thiollier, casado, pianista, russo, Rio. Blaise Cendrars, solteiro, violinista, allemand, Berlin. Mário de Andrade, solteiro, fazendeiro, negro, Bahia. Oswald de Andrade Filho, solteiro, escrittore, suíço".

29 de junho de 2011

Aviso: Só para São João Del Rei e Tiradentes


Em março de 2006, alunos do Curso de Formação de Escritor da PUC-Rio buscavam meios e formas para  publicar seus textos no cenário carioca. Depois de perceberem a dificuldade de se lançarem no mercado editorial, Lucas Viriato sugeriu a criação de um veículo que pudesse ser um espaço de experimentação e divulgação de novos jovens autores. Nasceu então o Plástico Bolha, jornal literário que hoje em dia, depois de seis anos de existência, é uma vitrine da nova literatura no Brasil. O Jornal tem uma tiragem de 13.000 exemplares, distribuídos em mais de oito estados, e já recebeu mais de 4.000 textos ao longo desses anos que se dividem não apenas no jornal impresso, mas também no blog do jornal. Em 2010, foi publicado o primeiro livro  do jornal, Antologia de Prosa Plástico Bolha, reunindo os destaques literários em prosa de mais de trinta autores.
Nesses anos todos, o Plástico Bolha se transformou e inovou, além de expandir literatura pelo jornal e pelo blog, expande também seus rumos conquistando leitores e espectadores com performances de poetas e escritores em praças públicas, desfiles com fantasias feitas de plástico bolha e tantos outros eventos divulgando o lado vivo e performático da literatura, que pode transbordar dos livros e ocupar as ruas.
No próximo mês de agosto, o Plástico Bolha participa do XIV Festival de Cultura e Gastronomia de Tiradentes, oferecendo ao grande público um cardápio divertido e sensacional da mais deliciosa literatura contemporânea!
Para um momento tão especial, é preciso preparar também uma edição surpreendente! Convocamos ensaístas, contistas, poetas e contadores de histórias da UFSJ e das cidades de São João Del Rei, Tiradentes e localidades próximas para participarem enviando suas criações para o e-mail JORNALPLASTICOBOLHA@GMAIL.COM  até o dia 27 DE JULHO DE 2011.
Selecionaremos, preferencialmente, textos que tenham como tema o lema do festival: a gastronomia.
Qualquer dúvida, entrar em contato pelo mesmo e-mail.
www.jornalplasticobolha.com.br

9 de maio de 2011

La escuela gardeleana


“(...)Tinha então dezoito anos e vivia sozinha em Paris, sem rumo definido. Paris de 1928. Paris das orgias e dos banquetes regados a champagne. (...) Paris de 1928, onde cada dia nascia um novo cabaré, (...).
Dezoito anos, loura, olhos azuis. Sozinha em Paris.
Para suavizar minha desgraça, entreguei-me totalmente aos prazeres.
Certa feita, um daqueles elementos que sempre vegetam nesse ambiente cosmopolita descobriu a minha dor secreta e recomendou-me remédio para o esquecimento... Cocaína, morfina, drogas. Então, comecei procurando lugares exóticos, (...).
Naquela época, colhia êxitos e aplausos um recém chegado cantor de cabaré. Debutara no Florida e cantava canções estranhas num idioma estranho.
Cantava num traje exótico, desconhecido em Paris até então, tangos, rancheiras e sambas argentinos. (...) Era Carlos Gardel. Seus tangos chorosos, que cantavam toda a alma, conquistaram o público sem se saber por quê.
(...)
Nesse tempo, havia em Paris um cabaré chamado Palermo, na rue de Clichy, frequentado quase exclusivamente por sul-americanos... Foi ali que o conheci. (...), mas eu só me interessava pela cocaína... (...)
Aquela amizade consolidou-se em outras noites, outros passeios, outras confidências, debaixo da pálida lua parisiense, através dos campos floridos. (...) Esse homem ia me entrando na alma. (...), suas frases iam cavando a pedra da minha indiferença. Enlouqueci. (...) Era o meu primeiro amor”.

Capítulo 111

8 de maio de 2011



Vivo me lembrando de como a mãe me orientou contra os caminhos do mal. De como a senhora cortava as fotos de mulheres de maiô que O cruzeiro publicava, de maneira que meus olhos não vissem pro coração não sentir. Deu certo. Quer dizer, quase. Cortadas as cabeças, bustos e pernas, eu acabei me fixando no que sobrava e hoje posso ser considerado o maior tarado em pés desta ilha de paz. Só de ver uma sandália eu entro em pecado venial. (...)

[Elizabeth Orsini - Cartas do Coração – Uma Antologia do amor] 

Mãe,


Esse poema não tem nada haver [sic] com o dia das mães porque o dia das mães não tem nada haver. Com amor, Cazuza.



Bem que teus olhos podiam me dizer coisas mais bonitas
Do que a putaria implícita a cada piscada sacana
A cada gesto repetido, meu amor
Você bem que podia dizer coisas menos vulgares
E me chamar pra tomar sorvete, essas babaquices
Que uma mulher carente como eu precisa
Pra identificar qualquer coisa parecida com amor

Eu quero uma dúzia de rosas
Porque meu coração é feito flor que não nasceu direito
Arrancada do galho por alguma mão distraída
Dessas que passam pela rua catucando tudo...

[Elizabeth Orsini - Cartas do Coração – Uma Antologia do amor]