3 de dezembro de 2011

O dia internacional do Yes

Tenho que postar isso porque sumiu a antiga referência:

 
Yoko conheceu Lennon em 9 de outubro de 1966, quando o cantor visitou uma galeria em Londres onde ela estava expondo. Lennon se encantou por uma obra de Yoko em que subia as escadas, e no teto havia uma lupa com a palavra "yes!". Conforme ele avançava a escada, a palavra ficava mais nítida. John se apaixonou na hora. "Ela podia ter escrito qualquer coisa; guerra, sexo, morte. Mas ela escreveu 'sim', tudo que eu precisava naquele momento.




8 de maio de 2011



Vivo me lembrando de como a mãe me orientou contra os caminhos do mal. De como a senhora cortava as fotos de mulheres de maiô que O cruzeiro publicava, de maneira que meus olhos não vissem pro coração não sentir. Deu certo. Quer dizer, quase. Cortadas as cabeças, bustos e pernas, eu acabei me fixando no que sobrava e hoje posso ser considerado o maior tarado em pés desta ilha de paz. Só de ver uma sandália eu entro em pecado venial. (...)

[Elizabeth Orsini - Cartas do Coração – Uma Antologia do amor] 

Mãe,


Esse poema não tem nada haver [sic] com o dia das mães porque o dia das mães não tem nada haver. Com amor, Cazuza.



Bem que teus olhos podiam me dizer coisas mais bonitas
Do que a putaria implícita a cada piscada sacana
A cada gesto repetido, meu amor
Você bem que podia dizer coisas menos vulgares
E me chamar pra tomar sorvete, essas babaquices
Que uma mulher carente como eu precisa
Pra identificar qualquer coisa parecida com amor

Eu quero uma dúzia de rosas
Porque meu coração é feito flor que não nasceu direito
Arrancada do galho por alguma mão distraída
Dessas que passam pela rua catucando tudo...

[Elizabeth Orsini - Cartas do Coração – Uma Antologia do amor] 

10 de abril de 2011

O persona

Já mencionei, em algum dos meus outros blogs falecidos, que em 1935, Cecília Meireles marcou um encontro com Fernando Pessoa às 12h no café “A brasileira”, do bairro Chiado, em Lisboa. Esperou cerca de duas horas e, bolo consumado, voltou para o hotel. Chegando lá recebeu um exemplar autografado do livro “Mensagem”* e a seguinte justificativa de Pessoa: ele tinha lido o horóscopo pela manhã e concluiu que os dois não deveriam se encontrar.

Li essa história em alguma matéria de algum suplemento da Folha de São Paulo ou O Estadão... Eu fiquei me perguntando, sendo Cecília poeta tão admirada, (lembro Manoel Bandeira - “Cecília, és tão forte e tão frágil. Como a onda ao termo da luta. Mas a onda é água que afoga: Tu, não, és enxuta”) - por que Pessoa declinou? Jamais saberemos. Mas, o comportamento excêntrico me fez colecionar algumas curiosidades sua e dar-lhe um green card para nossa Paris Imaginária.



1. Pessoa quer dizer persona, máscara de atores romanos. “Máscara, personagem de ficção, nenhum: Pessoa”;
2. Há quatro dele: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Fernando Pessoa. Il est un autre!
3. Trocou uma tipografia pela faculdade de letras, inapetência genuína para a academia e também para os negócios (ele vai à falência);
4. Vive toda sua vida em domicílios incertos, ora com a mãe, ora com uma tia solteirona, ora com uma avó louca e etc.;
5. É um bebedor solitário, em tabernas e hospedarias;
6. Em 1916 projeta estabelecer-se como astrólogo, mas se vê envolvido numa trama urdida pela polícia contra o mago e satanista inglês E. A. Crowley-Aleister (de passagem por Lisboa em busca de adeptos para sua ordem místico-erótica);
7. Não se conhecem seus amores. “Casto, todas as suas paixões são imaginárias; melhor dizendo, seu grande vício é a imaginação”;
8. É um cosmopolita que prega o nacionalismo;
9. Investigador solene de coisas fúteis;
10. Humorista que nunca sorri;
11. Inventor de outros poetas e destruidor de si mesmo;
12. Para quem fingir é conhecer-se;
13. Misterioso que não cultiva o mistério;
14. Fantasma do meio-dia português;
15. “Pierre Hourcade, que o conheceu no fim de sua vida, escreve: “Nunca, ao despedir-me, atrevi-me a voltar o rosto; tinha medo de vê-lo desvanecer-se, dissolvido no ar”;
16. Deixou tantas coisas escritas que, 72 anos após sua morte, ainda não foi todo publicado.
17. Faz literatura de subúrbio;
18. Como todos os abúlicos apaixonados e imaginativos, pra não enlouquecer, todos os dias escreve alguma coisa;
19. Leitor de Milton, Shelley, Keats, Poe, Baudelaire e vários subpoetas portugueses;
20. Teve Almada Negreiros e Mario de Sá Carneiro como companheiros na aventura futurista;
* Sua última experiência literária.
** “O desconhecido de si mesmo – Fernando pessoa”; PAZ, Octavio. Signos em rotação. São Paulo: Perspectiva, 2003.

24 de março de 2011

Desenterrar seu próprio país


Gente das cercanias, moradores dos subúrbios da história, nós, latino-americanos, somos os comensais não convidados que se enfileiraram à porta dos fundos do Ocidente, os intrusos que chegam à função da modernidade quando as luzes já estão quase apagando – chegamos atrasados em todos os lugares, nascemos quando já era tarde na história, também não temos um passado ou, se o temos, cuspimos sobre os seus restos.
Octávio Paz, O labirinto da solidão e post scriptum.





Le pont de l`Europe, 1876 - Gustave Caillebotte



Mário de Andrade insistia: “é preciso cortar o cordão umbilical que os liga à França. Em vez de irem pavonear tolamente em Paris, os escritores devem pegar suas trouxas e desenterrar seu próprio país”.


Colado
daqui

21 de março de 2011

“(...) Velho vai aí no sentido de ancianidade perene e não no particular desgaste. A gente nasce velho, dizia-me em Paris o grande poeta e romancista Jules Suppervielle. E depois, todo trabalho útil consiste no renovamento, na remoção do entulho de ancestralidade que cobre as adolescências suicidas, os mórbidos 18 anos de cada um ou a crosta que caracteriza os 25, os 30 e os 40 – essa crosta feita de recalques e preconceitos, da qual somente almas livres conseguem desembaraçar (...)”


Carta a um Torcida, Oswald de Andrade – Ponta de Lança.

17 de março de 2011

Trecho da carta de Maga a Rocamadour

“É assim Rocamadour: Em Paris, somos como cogumelos, crescemos nos corrimões das escadas, em quartos escuros onde cheira a gordura, onde a gente faz amor o tempo todo e, depois, frita ovos e põe discos de Vivaldi, acende cigarros e fala como Horacio e Gregorovius e Wong e eu, Rocamadour, e como Perico e Ronald e Babs, todos nós fazemos amor e fritamos ovos e fumamos, ah!, nem podes imaginar tudo o que fumamos, o tanto que fazemos amor, parados, deitados, de joelhos, com as mãos, com as bocas, chorando ou cantando...”

Capítulo 132

Rocamadour é uma comuna francesa na região administrativa de Midi-Pyrénées, no departamento de Lot, sudoeste da França. Fica na antiga província de Quercy. Significa: "roc amator, amante das rochas". É um ponto turístico e de peregrinação pois, segundo a tradição, lá viveu o eremita Zaqueu de Jericó, morto por volta de 70 d.C., que amava as rochas, tendo cavado um eremitério numa delas. Ele teria trazido para Rocamadour a estátua da Virgem Negra, que no entanto é datada do séc. IX. Depois que foram reportados muitos milagres atribuídos ao túmulo de Zaqueu e ao santuário da Virgem, peregrinos famosos estiveram em Rocamadour. Lá também é feito um queijo de cabra que leva o nome da cidade.



7 de março de 2011

Capítulo 121



Com tinta vermelha e manifesta complacência, Morelli copiara num caderno o final de um poema de Ferlinghetti:

Yet I have slept with beauty
in my own weird way
and I had made a hungry scene or two
with beauty in my bed
and so spilled out another poem or two
and so spilled out another poem or two

upon the Bosch-like world.


Lawrence Ferlinghetti (1919) é um poeta, editor e pintor da Geração Beat, mais conhecido pela sua obra poética e por ter sido o responsável pela divulgação em livro de todos os maiores expoentes daquele movimento e suas maiores obras.

mais poemas aqui